Caros leitores, por conta de milhões de coisas a fazer e pela total falta de tempo, este blog se autodestruirá em 10 dias. Para contatos: fabianocalixto@yahoo.com.br
O autor postará, vez em quando, no blog da modo de usar (link ao lado).
PULL MY DAISY. Directed by Robert Frank and Alfred Leslie. 1959, 26 min. Starring: Allen Ginsberg, Gregory Corso, Larry Rivers, Peter Orlovsky, David Amram, Richard Bellamy, Alice Neel, Sally Gross and Pablo Frank, Robert Frank's then-infant son. Based on Jack Kerouac´s unfinished play "The Beat Generation". Escrito por Fabiano Calixto às 00h08
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
A Revolução está de luto
O poeta palestino Mahmoud Darwish morreu esta semana. A revolução declara luto. Sem Henri Chopin e Mahmoud Darwish, a resistência se enfraquece. Colocamos nossa confiança nos jovens poetas surgindo, que tomem seus lugares nas células.
Mahmoud Darwish (1941 - 2008) no filme "Notre Musique" (2004), de Jean-Luc Godard. Escrito por Fabiano Calixto às 13h46
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
De Safo a Beatriz de Diá e desta a Joanna Newsom
Ricardo Domeneck retorna a estas paragens, seguindo em sua deliciosa empreitada de demonstrar que poesia é muito mais que mera franquia da Literatura. Sim, e é muito melhor fazer isso com mulheres, já que foram homens que instituíram a farsa, anyway.
De Safo a Beatriz de Diá e desta a Billie Holiday e Kate Bush, chegando nos dias de hoje a Björk e Joanna Newsom, poesia pois é poesia, nada de Literatice decadente, nós somos poetas.
(De Safo a Joanna Newsom, poesia lírica é para quem tem coragem) Escrito por Fabiano Calixto às 13h29
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
Sexta-feira chuvosa
ou
Um postado ao molho de camarão
Caríssimos milhões e milhões de leitores mundo afora, bom dia! Aqui em Çampa chove, chove pra dedéu, desde ontem – depois de 40 dias e 40 noites a seca na lei seca da selva. E, como vocês sabem, a estrofe III da entrevista com o Coringa seria publicada hoje, mas... Mas! Mas!! Mas!!! Na estação da Barra Funda (trem e metrô) a água chegou a 2,2 m, carregando assim meu MP3, onde estava gravada a única versão digitada da entrevista!!!! Argh! Então o Pânico se instalou aqui na redação. O Coringa já me ligou perguntando. Nossa ombundsgirl, Érica, a histÉrica, está subindo nas tamancas. Um caos total. Mas, pelo menos contratamos um estagiário, o Peebles. E Peebles se encarregou de digitar toda a entrevista novamente neste fim de semana – a preço de 4 BigMac. Estamos parcialmente salvos. Agora eu procuro uma secretária multifuncional para a redação de Almondegário – currículos para o e-mail logo ali abaixo. Aliás, Peebles sugeriu que colocássemos uma promoção para que de milhões passássemos a bilhões de leitores. Então tá, respondendo corretamente a pergunta abaixo, o ilustre leitor receberá em casa um exemplar do sensacional Sangüínea (detalhe: autografado). E-mails para a redação: fabianocalixto@yahoo.com.br
Espetáculo multimídia da artista norte-americana Laurie Anderson que trata dos excessos tecnológicos da sociedade de informação e discute grandes temas contemporâneos como a guerra, os meios de comunicação, a cultura da vigilância e o meio ambiente. Desde o começo da sua carreira, o seu trabalho sempre explorou as mais diversas mídias e manteve uma visão crítica da cultura e política americanas. Duração: 1h30. Teatro Paulo Autran. Recomendável para maiores de 12 anos. Não é permitida a entrada após o início do espetáculo. Ingressos à venda pelo sistema INGRESSOSESC, a partir de 26/08.
R$ 40,00
[inteira]
R$ 20,00
[usuário matriculado no SESC e dependentes]
R$ 10,00
[trabalhador no comércio e serviços matriculado no SESC e dependentes]
“Meu amigo Evandrinho “Grogotó” Ferreira é quem diz: ‘Não há fato ou notícia ou personalidade importante que justifique a existência de um periódico: um jornal sério devia circular uma vez a cada século’”.> Marcelo Mirisola, no Congresso em Foco.
de ATIRE NO DRAMATURGO:
"Sou um bêbado com problemas com a literatura."
"A diferença entre sexo grátis e sexo por dinheiro é que, geralmente, sexo grátis custa mais."
"Críticos são como eunucos num harém: sabem como é que se faz, viram-no ser feito todos os dias, mas são eles próprios incapazes de o fazer."
(Brendan Behan - escritor irlandês que morreu em 1.964 - a razão? Ah, ele bebia um pouco além da conta - acontece)
de REPÚBLICA DE FIUME:
As 3 pessoas mais ricas do mundo são também mais ricas que os 48 países mais pobres do mundo.
Os bens das 84 pessoas mais ricas do mundo ultrapassam o produto interno bruto da China com seus um bilhão e trezentos mil habitantes
As 225 pessoas mais ricas do mundo possuem uma fortuna equivalente ao rendimento anual acumulado de 47% das pessoas (mais pobres) do planeta, ou seja, 3 bilhões de pessoas.
Bastaria cerca de 4% da riqueza acumulada dessas 225 pessoas mais ricas para dar a toda a população do mundo acesso à satisfação das suas necessidades de base (saúde, educação e alimentação)
Faz um tempo já – mais de 10 anos – quando ouvi pela primeira vez a canção “Don’t look back in anger”, de Noel Gallagher – ela figura no ótimo álbum (What’s the story) Morning glory? de 1996. Desde aquele dia, ouço-a com muita (talvez exagerada) freqüência. Ultimamente, com o advento do MP3, ouço-a diariamente no trajeto triste de Çantandré a Barra Funda. Ele traz sol para a mente. Faz já uns outros tantos anos que escrevi algo sobre essa chanson em meu blog anterior. O texto afogou-se no mar digital. Dele (from that old prose), lembro-me de que, conversando com o meu amigo Marcelo Montenegro, este me confessou que sempre quis escrever um conto em que essa canzone aparecesse, como personagem, como trilha, como um monstro intersemiótico de linguagem (tal o Occam do Catatau leminskiano), algo assim. Lembro-me de um texto do brother Mário Bortolotto, ao comentar meu postado, em que ele dizia gostar muito também desta english song. Enfim, tempos passados. Não me importo quando os boçais vêm dizer que os Gallagher são vândalos. E daí? Foda-se! Não são meus amigos – o que é uma grande pena, pois ligar os botões daquela navelouca que é a vida deles deve ser muito divertido. (É curioso que esses boçais, papas do bom-mocismo hipócrita desse arremedo de nação, são os que gostam, aplaudem e até fazem corinho em shows para canções: “eu vou me esquecer de tudo das dores do mundo e só quero saber do seu amor”. Bem, canção retardada para retardados... aiaiai... Valha-me Deus!!!!) É engraçado a gente pensar na biografia que determinadas coisas criam quando passam pela vida da gente. Falo com os amigos e sempre tem algo, alguma coisa, inanimada muitas vezes, que nos entende perfeitamente. Um filme, um botão, uma pedra, uma velha moeda riscada de um lado e polida de outro, um retrato em branco e preto. Uma canção. “Don’t look back in anger” me compreende por completo. Nos dias de tristeza condensada em lágrimas, nos de alegria onde, enquanto as árvores secam as folhas do próximo outono, lembramos de alguém a quem amamos muito. Como um poema lindíssimo que sei de cor e que também convive comigo há longuíssima data, “Nova passante” de Carlito Azevedo:
1- sobre esta pele branca um calígrafo oriental teria gravado sua escrita luminosa — sem esquecer entanto a boca: um ícone em rubro tornando mais fogo suor e susto tornando mais ácida e insana a sede (sede de dilúvio)
2- talvez um poeta afogado num danúbio imaginário dissesse que seus olhos são duas machadinhas de jade escavando o constelário noturno: a partir do que comporia duzentas odes cromáticas — mas eu que venero (mais que o ouro verde raríssimo) o marfim em alta-alvura de teu andar em desmesura sobre uma passarela de relâmpagos súbitos, sei que tua pele pálida de papel pede palavras de luz
3- algum mozárabe ou andaluz decerto te dedicaria um concerto para guitarras mouriscas e cimitarras suicidas (mas eu te dedico quando passas no istmo de mim a isto este tiroteio de silêncios esta salva de arrepios)
“Don’t look back in anger” começa com uma citação melódica de “Imagine” de John Lennon, que também é citado, em outro momento de sua carreira, em determinado trecho da lyric. Possui uma melodia fora-de-série, passagens belas, uma respiração intensa. Noel, que canta essa canção, queria algo entre “All the Young dudes” de David Bowie e qualquer sonoridade dos Beatles. Noel, entre outras coisas, diz que não sabe o que significa a lyric desta canção – “um poema / que não se entende / é digno de nota // a dignidade suprema / de um navio / perdendo a rota”, escreveu Paulo Leminski. É uma canção triste. De sabor forte. Para mim, cozinheiro desta Alexandria amarrotada, é a canção mais bela dos anos 90. (Uma vez, uma garota, na melancolia da noite da noite escura, enquanto uma chuva feroz pintava a cidade como sua água-forte feita só de reflexos de estrelas, eu desabado de tanto combate, acompañado por mi tristeza de haber venido, ouvi, à capela (como uma Cat Power na caixinha de jóias da vida), “Don’t look back in anger” entoar suavemente de sua boca, e isso criou para mim ponte de luz que levou, inevitavelmente, ao verso seguinte: alegría de estar aquí. ) Passados tantos anos, “Don’t look back in anger” continua ao meu lado, fazendo-me companhia nos dias de chuva. E de sol. Passamos esta manhã juntos. E, por coisa do acaso, ela me diz tanto mais hoje que em qualquer outro período. É com esta canção que lembro dela – da garota do paraíso. Que me faz tanta falta e que eu espero que esteja bem.
Abaixo, a letra, uma fasttradusong da mesma, e a dita cuja no vídeo do Oasis.
As paredes eram espessas, os guarda-ventos discretos. Só ele tinha a chave daquele laboratório onde se dizia que consultava mapas, nos quais estavam indicadas as árvores frutíferas e onde ele enumerava seus produtos, praticamente cada mergulhia, cada feixe de lenha. A entrada do quarto de Eugénie dava para aquela porta murada. Em seguida, na extremidade do patamar ficava o apartamento do casal que ocupava toda a frente da casa. Na entrevista, ela também falou que, depois dos últimos quatro anos como vereadora de São Paulo, não pretendia se candidatar em nenhum outro cargo pelo PT. "Foi frustrante romper com o PT, o partido da minha vida inteira. Decidi que queria ser petista com 13, 14 anos", disse. Acordei último. Alteado só se podia nadar no sol. Aí, quase que não se passavam mais os bandos de pássaros. Mesmo perfiz: que o dia ia dever ser bonito, firme. Chegou o Cavalcânti, vindo do Cererê-Velho, com recado: nenhumas novidades. Para o Cererê-Velho recambiei aviso: nenhumas novidades minhas também. O que positivo era, e do que os meus vigiadores do rededor davam confirmação. Antes, mesmo, por mais, que eu quisesse ficar previnido, o dia era de paz. A edição de hoje do jornal britânico "The Sun" traz a revelação de que a adolescente inglesa, Cara Marie Burke, 17, morta e esquartejada no último dia 26 em Goiânia (GO), confessou a amigos que apanhava do namorado, Mohammed D'Ali Carvalho dos Santos, 20, suspeito de tê-la matado. Um amigo de Cara disse à polícia que Santos batia na garota quando se drogava. Uma fonte policial disse ao jornal que Santos tem um histórico violento. Quando ainda era menor de idade, ele chegou a ser acusado por tentativa de assassinato. Ele também esfaqueou o irmão durante sua estadia em Londres, onde sua família mora. O faturamento real da indústria cresceu 3,8% em junho em relação a maio, informou nesta segunda-feira a Confederação Nacional da Indústria (CNI). A elevação é a maior para um mês de junho desde 2003, quando a entidade iniciou a série histórica. No primeiro semestre de 2008, comparativamente ao mesmo período do ano anterior, o faturamento industrial cresceu 8,4%. Tom Brady faz 31 anos hoje e a top quis fazer algo diferente nesta data. Gisele Büdchen falou com um fotógrafo para montarem um calendário sensual para o amado com 12 fotos diferentes. "Ela aparece de lingerie, com um grande bolo de aniversário para o mês de agosto. E a foto mais esperada é a que ela está de meias de futebol. Ele vai amar isto", disse uma fonte ao site Female Fisrt.Ainda em recuperação de uma pancada na panturrilha direita, sofrida na partida amistosa da última semana contra o Vietnã, o zagueiro Thiago Silva não deve participar do jogo de estréia da seleção masculina de futebol nas Olimpíadas de Pequim. Foram descansar sob os garranchos de uma quixabeira, mastigaram punhados de farinha e pedaços de carne, beberam na cuia uns goles de água. Na testa de Fabiano o suor secava, misturando-se à poeira que enchia as rugas fundas, embebendo-se na correia do chapéu. A tontura desaparecera, o estômago sossegara. Quando partissem, a cabaça não envergaria o espinhaço de Sinhá Vitória. Instintivamente procurou no descampado indício de fonte. Um friozinho agudo arrepiou-o. Mostrou os dentes sujos num riso infantil. Como podia ter frio com semelhante calor? Ficou um instante assim besta, olhando os filhos, olhando os filhos, a mulher e a bagagem pesada. O menino mais velho esbrugava um osso com apetite. Fabiano lembrou-se da cachorra Baleia, outro arrepio correu-lhe a espinha, o riso besta esmoreceu. A Record está disposta a pagar até US$ 5 milhões (R$ 7,750 milhões pela cotação da última sexta-feira) para transmitir com exclusividade um dos quatro shows que a popstar Madonna deverá fazer no Brasil em dezembro. O valor seria o mesmo do cachê da cantora para cada show no país. Um alemão obeso de 50 anos foi condenado a cinco anos de prisão no país por sentar sobre sua mulher e matá-la por esmagamento. A audiência de Hildesheim, ao sudoeste da Alemanha, considerou o homem, cuja identidade não foi divulgada, culpado de graves lesões físicas com conseqüência de morte. O acusado, que no momento do crime pesava 128 kg, reconheceu durante o processo que tinha tido uma forte discussão com sua mulher e que se sentou em cima dela quando ela estava caída no solo, embora tenha negado qualquer intenção homicida. A mulher fraturou 18 costelas ao ser esmagada por seu marido e morreu em decorrência dos graves ferimentos internos sofridos poucas semanas depois, após uma dolorosa agonia, afirmaram os peritos que estudaram o caso. Todo homem e toda mulher é uma estrela. NÃO HÁ DEUS ALÉM DO HOMEM 1- O homem tem o direito de viver pela sua própria lei de viver da maneira que ele quiser; de trabalhar como ele quiser; de brincar como ele quiser; de descansar como ele quiser; de morrer quando e como ele quiser. 2- O homem tem o direito de comer o que ele quiser ; de beber o que ele quiser; de se abrigar onde quiser; de se mover como queira na face da Terra. 3- O homem tem o direito de pensar o que ele quiser; de falar o que ele quiser; de escrever o que ele quiser; de desenhar, pintar, esculpir, gravar, moldar, construir como ele quiser; de vestir-se como quiser. 4- O homem tem o direito de amar como ele quiser. Em um primeiro momento, buscaremos analisar a questão do preço crescente dos alimentos – levando em conta seu vínculo (geralmente esquecido) com nossa própria cultura alimentar – e também expor o quanto pequenos sacrifícios em nossos hábitos alimentares já poderiam minimizar de maneira significativa a demanda dos recursos naturais necessários (incluindo a água e a energia gerada a partir do petróleo, vital para o processo de “produção” dos alimentos). A nona edição do Big Brother Brasil contará com uma novidade na seleção dos participantes. Como já divulgamos, a emissora irá percorrer dez cidades do Brasil montando um estúdio nas ruas para quem quiser fazer o seu registro. Conforme informa o site da revista inglesa New Music Express, uma nova lei russa pode tornar ilegal o estilo emo no país. Ainda em fase de formulação, a lei tem como objetivo regular duramente sites de temática emo e proibir que pessoas se vistam conforme o estilo em escolas e prédios públicos. Ainda, segundo a NME, a criação da nova lei é motivada pelo medo da sociedade russa em relação ao potencial "depressivo e suicida" de "perigosas tendências adolescentes" como o emo. Dito isto, expirei às duas horas da tarde de uma sexta-feira do mês de agosto de 1869, na minha bela chácara de Catumbi. Tinha uns sessenta e quatro anos, rijos e prósperos, era solteiro, possuía cerca de trezentos contos e fui acompanhado ao cemitério por onze amigos. Onze amigos! Verdade é que não houve cartas nem anúncios. Acresce que chovia - peneirava uma chuvinha miúda, triste e constante, tão constante e tão triste, que levou um daqueles fiéis da última hora a intercalar esta engenhosa idéia no discurso que proferi. à beira de minha cova: "Vós, que o conhecestes, meus senhores vós podeis dizer comigo que a natureza parece estar chorando a perda irreparável de um dos mais belos caracteres que têm honrado a humanidade. Este ar sombrio, estas gotas do céu, aquelas nuvens escuras que cobrem o azul como um crepe funéreo, tudo isso é a dor crua e má que lhe rói à natureza as mais íntimas entranhas; tudo isso é um sublime louvor ao nosso ilustre finado." Não dêem para os cachorros o que é sagrado, e nem atirem pérolas aos porcos, para que estes não a pisem com os pés e aqueles não se voltem contra vocês e os ataquem.
Eis-me aqui de nuevo, Rocirda Demencock aka Ricardo Domeneck, a pedido de Nobia Toxical aka Fabiano Calixto, assumindo o comando-leme desta Stultifera Navis aka Almondegário pelo fim-de-semana, para dividir compartilhar repartir poesia convosco em vozes. Dentre os poetas da década de 90, aquela que jamais falha em comandar nossa atenção, a nossa, dos modistas-usuários, é a poeta islandesa Björk Guðmundsdóttir, que todos conhecem como Björk, pois é poesia. Não, não literatura, baby, deixe a literatura para os prosadores, que são o serviço de entretenimento da burguesia desde que esta subiu ao poder. Estamos falando de poesia, escrita-voz-performance, como você gosta, como nós precisamos. Se os literatos chiarem, ora, solte Paul Zumthor ou Mladen Dolar para cima deles, até que eles corram de volta para suas cavernas onde estilinhos de escrita crepitam como sombras pela parede.
É assim, querido e querida, nós reivindicamos nossos corpos de volta, nossas vozes, como poetas, mais que meros escritores, que somos e respeitamos, mas que não dão conta há séculos da pluralidade da poesia, escritores são tão limitadinhos. Que o poeta encontre sua voz, mas não como se fala de "voz de poeta", como jeitinho de empilhar letras no papelzinho, não, babyzinho, nós queremos a voz de verdade. Aquela pergunta besta sobre letra-de-música ser poesia, e tal, na verdade é a seguinte: se letra-de-música funciona como Literatura. As if poetry cared. Pergunte à criatura: o que é uma sextina?
Björk é uma excelente guia para recuperarmos uma poesia verbivocogestual.
A receita é a seguinte, mon hypochondriac lecteur: você pega o verbivocovisual dos concretos e joyceanos e o enfia todinho no nosso "verbi", que a gente gosta e é o que sempre significou para eles de qualquer forma, aí você abre a boca, escancara a garganta e encontra o "voco" real da poesia (muito anterior à literatura, ou letradura, como preferir), não o voco falsificado de sempre, e por último você entende o visual como mais, muito mais do que o plano-achatado-bidimensional designístico, gráfico para folhas de papel, e passa a entender o visual como performance, como gestual, como o corpo do poeta num corpo-a-corpo com seu público, retornando a poesia a sua experiência coletiva, longe da noção século-18-ou-19 da letradura em leitura silenciosa de olhos surdos e mudos na pagininha. Voilá: poesia verbivocovisual de verdade.
Ricardo Domeneck assina e assume a responsabilidade.
Ou você me esquece e deixa Björk, esta herdeira legítima de Beatriz de Diá, Tibor de Sarenoms e Azalais de Porcairagues, mostrar a você como se faz:
Uma das grandes influências da escrita de Björk é o poeta americano e.e.cummings, de quem ela já musicou um belíssimo poema. Isso é minimalismo, o resto é pseudo-hokusai-asmático para boi dormir:
Pedalling through The dark currents I find An accurate copy A blueprint Of the pleasure In me
Swirling black lilies totally ripe A secret code carved Swirling black lilies totally ripe A secret code carved
He offers A handshake Crooked Five fingers They form a pattern Yet to be matched
On the surface simplicity But the darkest pit in me It's pagan poetry Pagan poetry
Morsecoding signals (signals) They pulsate (wake me up) and wake me up (pulsate) from my hibernating
On the surface simplicity Swirling black lilies totally ripe But the darkest pit in me It's pagan poetry Swirling black lilies totally ripe Pagan poetry
Swirling black lilies totally ripe
I love him, I love him I love him, I love him I love him, I love him I love him, I love him She loves him, she loves him
This time She loves him, she loves him I'm gonna keep it to myself She loves him, she loves him She loves him, she loves him This time I'm gonna keep me all to myself She loves him, she loves him And he makes me want to hurt myself again She loves him, she loves him She loves him, she loves him And he makes my want to hand myself over Escrito por Fabiano Calixto às 16h52
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
Gabriel Pedrosa e El Guatón, no dia do aniversário do primeiro elemento em algum dia de 2007