Antes de mais nada, queridos leitores, acabei de acordar. E a noite foi muito legal. Bilhar sob um luar nevoento da Çantandré. Antes de mais nada coloquei um disco do Nick Drake porque ele faz a diferença e só me interessa neste mundo aquilo que FAZ A DIFERENÇA. Por isso, meus queridos leitores, que a Nora está aqui: porque ela faz a diferença. Meus queridos leitores, boa tarde. Só porque hoje é sábado e o sol resolveu dar o ar da graça eu vou um rolé o dia todo. Eu & Nora Fortunato. Pois amanhã cedo partimos sem falta para a grande aventura desta Cozinha de Alexandria: vamos para Gotham City entrevistar o Coringa. Uau! Estamos chapados e extasiados. Nesta semana a redação enviou ao caro Coringa nada menos que 30 livros de literatura brasileira contemporânea. Ele foi muito grato e ontem chegou-nos mais um telegrama dizendo que sim, ele aceita dar-nos uma entrevista exclusiva. Falaremos de arte, política e outras coisas mais. Estamos elaborando 50 perguntas daquelas mais cabeludas. Mortais, tremei! Hahahahahaha. Até amanhã. Beijos.
Caros leitores, aqui estamos nós de novo – e hoje trouxemos manjericão para o molho. Let’s go! M Minha caixa de e-mails vira e mexe recebe as maiores idiotioces (textos do felipe fortuna, poemas do abreu da silva....argh), até aí tudo bem, é só apagar sem ler. Hoje recebi um e-mail desagradável, tolo e, só para variar, de uma ingenuidade que doeria no cotovelo do Pinocchio. Vou comentar bem pouco sobre isso, pois realmente não vale a pena. E quer saber: um grande FODA-SE para esses sujeitos. E ponto final. M O que importa é que hoje é aniversário de dois grandes e queridos amigos meus. Para vocês dois, meus velhos: um abraço do tamanho das obras completas do Maiakóvski, deste cozinheiro de Alexandria! M Ontem a Telefonica aprontou das suas. Realmente é uma merda essa maldita empresa. M Ah, mas ao mesmo tempo que chegam coisas da idiotia brasileira em minha caixa de e-mails, chegam coisas da inteligência que gargalha como essa (abaixo), do Gabriel Pedrosa, poeta e amigo, autor do belo Ícaro (Ateliê Editorial, 2007). Vejam o e-mail dele (poesia pura, aliás) + (e, aliás, o Gabriel me escreveu um dia o primeiro e-mail-arte de que se tem notícia. E irá para a seção ARREBENTANDO A BOCA DA MATILDE em breve).O e-mail do poeta:
última flor do lácio, inculta e bela
quem falar primeiro, come toda a bosta dela
Fabuloso Gabriel, fabuloso...hahaha. M Hoje irei comer comida japonesa e depois ouvir música e depois assistir a um filme. Em excelente companhia, claro. Agora vou indo. Muito trabalho. E esse postado era só para dizer aos meus leitores que tudo vai bem. Muito bem. Beijos!
"No title" by Andressa R.
Post-scriptum: o que colocar aqui? Sexta-feira né? Que tal um vídeo? Que tal se for um vídeo de uma grande banda homenageando outra grande banda? Que tal se ainda houver diversão elevada ao último volume? Fechou? Então tá. Inté!
“Um estilo enviesado é o que vou abusar aqui, uma conversa entrecortada igual ao labirinto das quebradas dos morros cariocas, ziguezague entre a escuridão e a claridade. Lama, foguete, saraivada de balas, ricochete de bala, vala a céu aberto, prazer, esplendor, miséria. Igual a um labirinto e a arte provera dos barracos das favelas do Rio de Janeiro. Variedade de elementos e, principalmente, ambigüidade de tratamentos. Escrever tateando como se experimentasse saber das coisas que não se sabia ainda que se saiba. Os materiais heteróclitos, multiformes, almejando um sentido esperto de forma. A passagem do caos ao cosmo e a rara capacidade de se esvaziar de novo e retraçar o caminho inverso, do cosmo ao caos. De modo que é o processo criativo total que é ativado impedindo o fetichismo coagulador da obra feita. Para iniciar a corrida são necessários dois ou três pressupostos básicos: tomar uma boa talagada de inconformismo cultural-ético-político-social, evitar a arapuca do folclore e destravar a armadilha preparada pelo esteticismo”
Era isso mesmo, meu caro Waly, isso mesmo. Você já lia meu blog antes mesmo dele ser inventado... è Hoje é quinta-feira. Muito muito muito muito trabalho. Mas, enviesado, vou entrecortar a fala, afinar a garganta e começar a fala. è Este blogue será pontuado com fotos muito bacanas da Andressa R.
Acima, pop e gata, Andressa R., a Diva
A Andressa R. é uma garota muito muito talentosa & muito gente boa (tem uns escritos legais, idéias vivíssimas, raro bom gosto, se liga em moda como representação de uma vanguarda possível. Aos 17 anos, vivendo lá de Curitiba, é uma versão feminina (ah, e diga-se de passagem: é gatíssima!) e multimidiática daquele Rimbaud de Charleville). è Ontem, depois do expediente aqui na editora, fui encontrar-me com Nora Fortunato na casa de seus amigos (a Mariana e o Tiago, cellistas e pessoas muito bacanas de se papear e rir), bebemos, fumamos, comemos. Fiz uma leitura de um poema meu chamado “E-mail para Ricardo Domeneck” acompanhado pelos três cellos. A minha leitura ficou uma porcaria (visto que devidamente marcada e previsível) e a leitura deles da minha leitura ficou incrível, pois os três cellos tocavam aleatoriamente, passeando pelo território randômia do som. Realmente ficou sensacional, pena que minha leitura não fez jus à deles – tentaremos mais vezes, espero. Depois dessa leitura, eles resolveram tocar a tricello “Eleanor Rigby” de Lennon & McCartney – e ficou de arrepiar, lindíssima a execução deles. E, como bônus track, a Nora fez um improviso de arrepiar sobre a canção “Paciência” do Lenine – a Nora tem uma estupenda familiaridade com a melodia e consegue tirar do seu cello a hidromel da poesia, um arraso. Foi uma noite espetacular e inesquecível. è Li isso em algum lugar e achei bacana dividir com vocês, caros milhões de leitores diários: “Olha, com algumas exceções como o Costa e Silva, que confundia latrocínio com laticínio, fomos sempre governados por homens letrados, muitos deles intelectuais de nome, que conseguiram construir o país mais desigual e injusto do mundo sem cometer um erro de concordância.” (Palmas!) è E vocês sabem quem anda matutando um projeto muito bacana? Aliás, sensacional? É a Érica Zíngano. Olha, fiquei curioso por demais da conta. Chama-se eu coleciono histórias de amor. Muito bom e um começo do projeto (que é bem maior) está no link aí ao lado. (EZ, eu tô curtindo muito mesmo a idéia, beijo!) è Dia 12 de julho de 2008 haverá um lançamento na Pizzaria Urca. Em breve maiores detalhes. èFranklin Alves Dassie, alô, alô, é verdade que o Haiti não é aqui? Franklin, saca só, a Revolução tá foda! Está crescendo quantitativa e qualitativamente. Ontem, veja só que honra, The Joker, feliz pelo postado em sua homenagem, escreveu-me direto de algum lugar de Gotham, o seguinte telegrama:
Dearest Calixto,
I am so happy with generous words. All is very gonorrhea taste and antiseptic here in Gotham. When, for indication of Magneto (there of another universe), came to Almondegário. I would respectfully, a space in tha Revolução of Pesa-Nervos, Almondegário, Rocirda Demencock and others revolutionaries so admirable! I look forward in a letter. Or a bomb. In portuguese, my dearest poet: Trevo de quatro folhas são azedos, não se esqueça!
Lilakiss,
The Joker
P.S.- I found an injustice what they did with the old Ez. If I was not at the time, in Arkham, it would have taken that damn trap. In a world of poor, think is an insult.
Fiquei pensando aqui, vamos admiti-lo na Revolução? Meu voto é sim, a Revolução precisa de tortas de cianeto, mãos elétricas, gargalhadas largas, a última flor do ácido e o gás do riso. Ah, isso sim, rir é a maior arma da Revolução! Revolução séria deságua em comunismo... argh. E como ele mesmo diz: num mundo de medíocres, pensar é uma afronta. Agora, Franklin, meu caro, explica esse portmanteau dele aí ô meu: lilakiss? Lilacs + kiss, okay? Mas como traduziríamos isso: lilaslábio? Não, péssimo; beijoroxo? É, seria o mais próximo; beijobordô? (meio brega né?). Bem, o que sugeres? The Joker é mais um Revolucionário, comandante Dassie. Até daqui ali. èIl y a un duel constant entre lê ciel et lês intérêts terrestres.èEm breve nas melhores livraria Viagem à roda do meu quarto, do Xavier de Maistre. Livro sensacional que encantou Machado que encanta a nós. Corram pegar os seus exemplares! è Acabamos de publicar aqui o Pontos de vista de um palhaço, de Heinrich Böll. Idem: corram! è E é um tal de tapinha nas costas do poeta-burrocrata. E é tanto elogio ao lite-rato poeta-burrocrata. E o vermiculado poeta-burrocrata fica todo pimpão! Tão imenso respeito doam ao fulgurante (ai!) sr. Poeta-burrocrata que os mais atentos (que sabem que poesia não é brincadeira de barrigudo-engravatado e que sacam também que de emoção barata qualquer filhinho-de-papai gosta) avaliam a extensão do capital do sr. Poeta-burrocrata a partir do nível de consideração obsequiosa (e nojenta) de que é objeto. E assim vamos vivendo, de um lado os imbecis puxa-sacos, de outro os imbecis adulados. Êta imbecilhada da porra! èFulgurar: v. (1624-1649 cf. FSVer) 1int. relampejar, relampear <fulguram relâmpagos no horizonte>2int. emitir ou refletir luz, brilho intenso; luzir, brilhar, resplandecer <o metal fulgurava>3int.fig. sobressair-se entre os demais, destacar-se com brilho, ressaltar-se, salientar-se <sua inteligência e carisma fulguravam>¤etim lat. fulgùro,as,ávi,átum,áre 'lançar relâmpagos'; ver fulgur-¤sin/var ver sinonímia de brilhar e distinguir-se¤hom fulgurais(2ªp.pl.)/ fulgurais(pl.fulgural[adj.2g.]) è Preciso de uma piada bem legal para esta quinta-feira. è Semana que vem, amigos em Çampa: Manoel Ricardo de Lima, Carlos Augusto Lima, Eduardo “Dudu” Jorge & Mariano Marovatto. Também encontrarei a Bruna Beber. Parece-me que a Ana Rüsche, o Gabriel Pedrosa e o Rui Camargo aparecerão por lá também. Mais que nervos, nós precisaremos é de fígado de aço... hehehe. Aguardem a senha para o botequim! è Espero que não dê black-out na Paulista. è As traduções do Allen Ginsberg chegam em breve, caros leitores... aguardem. è
E-mail de Érica “HistÉrica” Gomes, a ombundsgirl desta Cozinha de Alexandria:
Calixto, querido,
Bem, a imagem das peitolas é muito fora de ordem, sabia? Bem, eu gostei, mas centenas de milhares de leitores não – como prova a caixa de e-mails da redação. Precisamos repensar. Aliás, a seção QUERO QUE VOCÊ SE... TOP TOP TOP UH! foi um gigantesco fracasso, fiasco total. Creio que deve dar fim a esta seção.
Já ouviu o Third do Portishead?
É isso, até semana que vem, beijos
E.G. (Ombundsgirl – Almondegário).
histÉrica, ok. Sim, ouvi o Third do Portishead – e o achei fantástico (falarei desse disco aqui neste coletivo de almôndegas). Sobre os peitinhos, achei que a foto é de excelentíssimo gosto, não abro mão mesmo e que, se for por belezas assim, que tudo entre na mais plena desordem. Pãos ou pães é questão de opiniães, diria Guimarães Rosa. Sobre a seção do Top5, você tem razão. Farei os Top5 nas entrelinhas destes textos, ok? Beijos. èTop5 personagens de desenhos animados:
1. Homer Simpson
2. Pica-Pau
3. Goober
4. Toro e Pancho
5. Os Impossíveis
è Dizem por aí que o Diego Vinhas lançará livro novo em breve. Eu torço para que sim. è E, por falar em livros, o que vem por aí? Eu digo. E já! Em breve chega às livrarias Icterofagia, nova coletânea de poemas de Dirceu Villa. Eu, que já tive o privilégio de ler, indico a todos aqueles que gostam de poesia. Mas poesia de verdade. Sacou? è E Pietà, livro de contos de Leandro Rodrigues sairá no ano que vem. Tudo certo. E é um belo livro. Aguardem novidades sobre o tema. èVou indo que tem muito trabalho pela frente. A tarde está quente. Os azulejos da piscina são azuis. Até amanhã, beijos!
"No title" by Andressa R.
Post-scriptum: Ah, nesta bela tarde, nada melhor que um belo poema. Com vocês, “O assassino era o escriba”, belíssimo trabalho de Paulo Leminski.
Meu professor de análise sintática era o tipo do sujeito inexistente. Um pleonasmo, o principal predicado de sua vida, regular como um paradigma da 1ª conjunção. Entre uma oração subordinada e um adjunto adverbial, ele não tinha dúvidas: sempre achava um jeito assindético de nos torturar com um aposto. Casou com uma regência. Foi infeliz. Era possessivo como um pronome. E ela era bitransitiva. Tentou ir para os EUA. Não deu. Acharam um artigo indefinido na sua bagagem. A interjeição do bigode declinava partículas expletivas, conectivos e agentes da passiva o tempo todo. Um dia, matei-o com um objeto direto na cabeça.
Disse, numa entrevista recente ao jornal O Estado de S. Paulo (logo ali abaixo da linha do equador deste blog blague argh) que meu personagem preferido da literatura universal é The Joker. Claro que alguns amigos (e inimigos) ficaram pasmos – quanta gente séria meu deus! Bem, eu realmente acho isso – e se tivesse que colocar outros personagens ao lado do “homem que ri” seriam Rodion Ramânovitch Raskólnikov de Crime e castigo e Julien Sorel de O vermelho e o negro – ambos de alguma maneira com traços similares de DNA com o inimigo mais apaixonante do Batman. Vendo alguns cartazes do aguardado The dark knight, não pude deixar de sentir enormes expectativas. O filme promete e um Coringa desvairado e sádico é sempre benvindo. Algumas de suas sacadas são imperdíveis. Vejamos dois exemplos catados ao acaso no Oráculo:
Com The Joker em seu divã, o nosso caro Sigmund Freud com certeza se foderia. Seria engraçada a cena... E, por falar em literatura, na lousa frouxa da poesia brasileira, seria hilário ler, ao som do rastro de uns restos de gargalhada sádica na cara de bunda de tantos poetas pedantes, essa linda expressão dionisíaca: Why so serious?
Nesta semana, mais uma vez a acompanhar a feijuca do Porcão ali de cima, vamos arrebentar a boca da Matilde. Dessa vez, o texto é do Marcelo Montenegro. O Marcelo é um desses sujeitos incríveis que a gente tromba pela vida. O conheci em 1995, salvo ledo ivo engano desta memória vodco-bukowskiana. Nesta época ele estudava Ciências Sociais em Santandré e publicava um zine de poesia bem bacana, o Ruptura. Sei que trocávamos várias idéias sobre arte e bebíamos sem miséria. Fomos comparsas na confecção da revista de poesia Monturo, ainda nos 90. O Marcelo tem dois livros de poemas daqueles que não saem da prateleira de cima – o Olimpo dos livros –, De soslaio (1997) e o fabuloso Orfanato portátil (2003). Hoje o cara é iluminador, trampa pra cacete, vai engrandecendo a vida – que, desde Chacal, sabemos que é curta pra ser pequena. E continua escrevendo poemas sensacionais e crônicas biotônicas, o que ele chama de tranqueiras líricas. Um grande sujeito, grande amigo, grande artista. Um sujeito que “adora pastel de queijo, literatura, cerveja e antigas músicas bregas revigoradas em filmes.” Nunca vi alguém com a fala mais tranqüila e com a escrita mais feroz. O texto abaixo paga a fiança do que digo, divirtam-se! Abração meu velho! (Espero que tu curta).
Marceleza e seu guri, o Murilo
Eu, o Mário Bortolotto e o Thales – figuraça e grande ator do grupo Armazém – passamos uma madrugada bebendo, conversando e jogando sinuca no bar do Jota em Londrina durante nossa estada no FILO. Tinha uma TV pequena num desses suportes de parede sintonizada numa luta, sei lá, de jiu-jítsu. O Thales comentou indignado que tinha assistido a uma matéria uns dias antes sobre moleques de 3, 4 anos em escolinhas de vale-tudo, competições com pais e mães orgulhosos na platéia torcendo, vibrando, filmando, batendo fotos. Contei de um aniversário de criança que fui certa vez bem na época do estouro do axé, essas merdas, com menininhas de 3, 4 anos dançando na boquinha da garrafa. Alguém botou um casco de cerveja no meio do quintal, a mesma história: mães fotografando, incentivando, “olha que gracinha”. Na Rolling Stone desse mês um dos caras do NX-Zero, respondendo a uma pergunta da repórter se eles não se incomodavam com a crítica, diz: “O Wander Wildner, por exemplo, a crítica ama, todo mundo fala bem. Aí você vai num show dele na Augusta e tem 25 pessoas no máximo”. Não lembro que jogador que um tempo atrás disse não saber e que nem precisava saber nada de 1958. Caralho. Na mesma Rolling Stone o Bukowski diz que “sempre atraía o idiota da escola. Todo mundo sabe quem é: o cara fodido e vesgo, que usava as roupas erradas e sempre pisava na merda. Eu também desprezava esse cara, mas alguma coisa sempre acontecia e ele acabava virando meu amigo”. Acontecia isso comigo. Com a diferença que eu atraía as extremidades: o mais idiota e o mais doido. Invejava um pouco a liberdade e o desprendimento deste e sentia um misto de raiva e profunda comoção com a inadequação do outro que, no fundo, era a minha. Acho que desde lá intuía que de alguma forma o mais doido em dois segundos vira um idiota e o idiota não precisa de muito esforço pra parecer o mais doido. Mas o problema sempre foi a, vamos chamar assim, normalidade. Essa que acha perfeitamente natural essa coisa assustadora de meninas e meninos dançando na boquinha da garrafa ou esmurrando o “inimiguinho” pela vitória. O grande Roberto Piva dizia isso lá atrás: entramos na época da barbárie da normalidade. O que são esses meninos que levam metralhadoras na lancheira, esse casal que atirou a filha pela janela e sua respectiva audiência, essas sub-celebridades siliconadas? Pessoas normais, que dão bom dia no elevador. O Marião comentou no atirenodramaturgo sobre o hotel 5 estrelas que estávamos em Brasília semana passada – abraço Andrezão! –, por conta da apresentação do Natimorto no Espaço Brasil Telecom. Na piscina tocava alto, altíssimo, Ivete Sangalo. Como diz o Mirisola, no entanto, “a panaquice não tem geografia”. Por exemplo: a tia da minha mulher tem uma quitinete na Praia Grande. Fomos no ano passado. Dia de semana, quase ninguém na praia, do jeito que eu gosto. Só que mesmo assim as barracas ficam tocando essas coisas num volume indecente. Gonçalo M. Tavares: “Cada povo tem direito à sua música e ao silêncio. Tem direito a decidir de que modo quer interromper o silêncio. Direito a escolher quais sons quer: que palavra e que nota musical. Mas, repara: não há silêncios populares. Como isso assusta”. Nunca vou esquecer do Chacal, numa mesa de discussão que participamos juntos, dizendo que tava pensando em criar um curso de “desqualificação profissional”. E as “tias” das categorias de base da vida como se não bastasse o massacre diário botam Xuxa e congêneres pras crianças ouvirem na escola. Na ESCOLA. Óbvio que é enorme a probabilidade de sair daí um bando de Lulinhas, Cacás, NX-Zeros, mulheres que chamam pessoas de "fofas" e toda sorte de profissionais exemplares – não importa a área – com chuteiras cor de abóbora achando que jogam mais do que jogam. Tem também a normalidade “de esquerda” e essa praga “politicamente correta”. Um bando de Arnaldos Jabores, como escreveu o Nelson Rodrigues sobre a passeata dos 100 mil, gritando “abaixo a fome chupando um sorvete de duas bolas”. Lembro quando estreou o filme dos filhos de Francisco. Numa rodinha qualquer da “intelligentsia”, uma mulher tenta me puxar pra discussão e pergunta se assisti. Falei que não e nem ia. Adivinhe o que ela disse?, lógico: preconceito. Puta, que saco. Ainda tive paciência de responder: não, minha filha, isso é CONCEITO.
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Baudelaire: “o homem, isto é, cada um de nós, é tão naturalmente depravado que lhe custa menos suportar o rebaixamento universal do que estabelecer uma hierarquia justa”. Salve Wander Wildner e Maradona. Viva a meia dúzia de gatos pingados que em 80 e poucos estava comigo num show do Itamar Assumpção que mudou minha vida, pessoas que não se conformam, três camaradas batendo uma sinuca de madrugada em qualquer biboca do mundo estudando outras jogadas. Viva Tim Maia. Vale tudo o caralho.
Você encontra mais coisas do Marcelo Montenegro no blog dele, o Orfanato portátil (link ao lado). Po-por hoje é só-só pe-pessoal!
Agradeço ao Ricardo Domeneck, grande amigo e poeta extraordinário, pela página e etcs. e tais. Thanx D.!
E agradeço a Andressa "Bukowski" Rodrigues pelas fotos. Beijinhos, Diva!
E abaixo um dos poemas que mais gosto, de e.e. cummings:
somewhere i have never travelled,gladly beyond
any experience,your eyes have their silence:
in your most frail gesture are things which enclose me,
or which i cannot touch because they are too near
your slightest look will easily unclose me
though i have closed myself as fingers,
you open always petal by petal myself as Spring opens
(touching skilfully,mysteriously)her first rose
or if your wish be to close me, i and
my life will shut very beautifully ,suddenly,
as when the heart of this flower imagines
the snow carefully everywhere descending;
nothing which we are to perceive in this world equals
the power of your intense fragility:whose texture
compels me with the color of its countries,
rendering death and forever with each breathing
(i do not know what it is about you that closes
and opens;only something in me understands
the voice of your eyes is deeper than all roses)
nobody,not even the rain,has such small hands
Pois é, segunda-feira. Hoje o post será um tanto quanto mais lento. E vamos que vamos! Ü Sábado chegou em casa o curta-metragem Sigilo (Signo Brutal da Malu Teodoro. Trata-se de um filme baseado nos poemas do meu livro Música possível (CosacNaify/ 7Letras, 2006). Gostei bastante do filme, tem uma tensão e a Malu experimenta, ousa, e isso é ótimo. Ü Estou lendo Balzac – mas um livro deveras chato dele... ossos do ofício. Ü A nova tradução do Satíricon está belíssima. Indico! Ü E hoje, no velho T-17, enquanto eu lia Histórias e sonhos, excelente livro de Lima Barreto, uma senhora, creio que assustada com a capa do livro, levantou-se e me cutucou: “Ei garoto, ei...”, eu olhei e ouvi: “Jesus te ama viu? Jesus tem você no coração”... disse que tudo bem. E voltei à leitura. Mas porque será que as pessoas querem que Jesus nos ame? Coitado do cara... quem garante que ele quer me amar? Jesus precisava mesmo é de umas férias. Ou de uma noitada na Praça Roosevelt ao lado de camaradas como Mário Bortolotto, Marcelo Montenegro, Batata, Negão & cia. Jesus, se cuida cara, tão querendo te pegar pra cristo! Ü O que precisava mesmo era uma chuva de rãs nesta segunda-feira. Ü Bem, a Andréa Catrópa acaba de lançar seu livro de estréia: Mergulho às avessas (Lumme, 2008). Muito bom o livro dela! Indico e em breve escrevo mais por aqui. Ü Bem, a Nora Fortunato se hospedará em casa nesta semana. Iremos começar a compor uma parte do disco que vem aí At infernum – gravuras sonoras de Fabiano Calixto & As Divas. Aguardem news! Ü Tem coisas que o coração não vê direito. Isso não é nada bacana. Ü Eu continuo rasgando cartas e fotografias. Ü E hoje acabou de chegar à redação a Ombundsgirl deste Almondegário, a Érica. Aguardem palavras dela. Ü A seção da minha página pessoal do Orkut, As Divas, tem feito bastante sucesso. Por isso, faremos uma reimpressão por aqui – hoje com 3 Divas. Espero que gostem meus caros leitores. Ü Preciso acabar os trabalhos atrasados. Ü A trilha sonora hoje por aqui foi o Maré, belíssimo novo trabalho da Adriana Calcanhotto (beijão honey!) Ü Bem, finalizo este post com um beijo, abraço e aperto de mão. Até amanhã!
Calixto indica:
A cadela sem Logos – Ricardo Domeneck
Rilke shake – Angélica Freitas
20 poemas para o seu walkman – Marília Garcia
Sublunar – Carlito Azevedo
AS DIVAS
A Diva em "The Kiss" por Gerald Laing
A Diva se entorpecendo
A Diva de pés descalços, fumando
Pra finalizar, um texto bem bacana da garota que tem o sorriso mais bonito deste inverno.
E foi com muita honra que conheci o Fabiano Calixto no sábado. Tive com ele uma conversa "ao vivo". Saímos do plano virtual. Ele é uma dessas pessoas que tornam qualquer conversa agradável. Divertido e gentil, me presenteou com seu livro Sangüínea. Que tenho lido nos momentos livres e noites insones... É fácil gostar do Calixto.
Sabe, eu estava pensando aqui neste domingo. Depois de um sábado fora de série, eu fiquei pensando neste domingo. De que matéria afinal é feito o domingo? Alguns teóricos (daqueles que mais respeito: os dos botequins) dizem que a música que encerrava o programa dos Trapalhões levou muita gente pra análise. Olha, não é de se duvidar. Mas o que acontece é isso: domingos são um lixo. Bem, e aqui estou eu e o sol lá fora continua estupendo. Ressaca do caralho, domingo, porra, fodeu! O que fazer: bem, a única saída que me ocorreu foi rebater com mais Heineken e ouvir Ramones. Está dando pé. Bem Fabiano Calixto & As Divas, meu novo projeto, está indo de vento em popa. As Divas estão trampando pra caramba. Colocaremos gravuras sonoras (sim, não será um CD de leituras de poema e nem de música e sim de GRAVURAS SONORAS – aguardem, aguardem!) no fragmento I do At Infernum – Livro de Gravuras (um extenso poema de 100.000 versos que venho compondo há anos). E têm chegado muitos livros aqui em casa. Uns ótimos, muito foda mesmo. (E eu tenho que entregar meus artigos ao Jornal do Brasil, ao Correio Braziliense e ao Estado de S. Paulo antes que me tirem o fígado – espero que os editores não leiam este blog... mas nesta semana acabarei todos, juro!). Mas voltando aos domingos. Bem, eu que estou no topo da cadeia alimentar, como diria meu camarada Leandro Rodrigues (um dos melhores autores inéditos que conheço – escreve prosa de gente grande, não esse amontoado de bobagens que se vê aqui e acolá), não suporto coisas médias, caminhos do meio, meias desculpas, caras de tacho, essas coisas demasiado imbecis. Então liguei o Foda-se! – botão vermelho ao lado esquerdo de onde se vê a chuva. Do Cabo Canaveral de referências das raspas e restos que tanto me interessam. Eu olho o sol. De soslaio, claro. Então as pessoas chegam em você e querem agradar: “Poxa, adoro seus poemas!”, e eu digo “É mesmo? Quais?”, então inventam, enrolam, molham o bico etcs. e tais. Hahahaha. Cada uma... Na verdade as pessoas ficam encantadas porque eu publico livros por grandes editoras, porque meu nome circula e porque, óbvio, estou no topo da cadeia alimentar. Mas eu não ligo não. Deixo ir indo. É dançar dançando (Salve Jorge Ben!). A Andressa Rodrigues, baterista d’As Divas, tem uns escritos muito legais, e umas fotos incríveis, e a garota é incrível... em breve pitadas dela neste Almondegário. Acho Os Sonhadores do Bertolucci uma obra-prima – poucas vezes um filme encantou tanto a este godardiano inveterado. A Fernandinha Bello é um encanto mesmo – eu precisava escrever isso. E daqui a pouco tenho que voltar para a tradução que estou fazendo do Oppiano Licario do Lezama Lima – um trampo hercúleo (e que o Angel tá na minha cola) que fui convidado a fazer e que, além de me encantar, me devolve um universo de grandeza, uma beleza obscena de tão gigante e gostosa (bem, enfrentar a continuação de Paradiso (que aliás a Josely Vianna Baptista está retraduzindo e que estamos editando) não é nada easy. Mas assim é que é bom!). A Modo de Usar & Co. n. 2 está sendo preparada – mortais, tremei! Hahahahaha! Aí alguém me disse que saudades são tristes e tal e aí eu respondi que eu só acredito em SAUDADE (Beijão Pati!) que corta e corta fundo, daquela que nos faz sentir aquilo de novo, num dèja-vu que a gente escolhe, e escolhe porque quer. Saudade que não dá nada é melhor nem sentir. Saudade que não dá nada é comida de gaveta, é bolor. A Angie é foda, ela some e fica comendo guacamole no Mérrico e não me escreve nem fodendo. É, eu tenho razão, a Angie é FODA e eu a amo! E por estes dias tenho que fazer minha matrícula na USP... e começar o mestrado com as leituras (teorias pesadíssimas) sugeridas pelo Zular (a beautiful mind). E semana que vem, prometo, as primeiras traduções que estou fazendo das obras completas do Allen Ginsberg - ah, e também estou preparando uma antologia mínima do John Lennon (para mostrar o quanto ele era /é o cara mais importante do século XX (em todos os sentidos) e porque (além do que se traduz dele, exceção feita ao Leminski, é lixo, merda pura). Sinceramente? tudo que eu escrevo gostaria de ser God. Me cobram para que eu fale de minhas leituras e tal, mas na verdade, não tô afim. Eu leio muito, se querem saber. Leio demais. Mas eu sempre privilegiei a VIDA, sacam? Entre A Divina Comédia (que eu amo, e, se marcar, acho que é a maior obra que um humano já fez – ao lado da Nona Sinfonia de Beethoven) e uma boa trepada com uma mulher linda, gostosa e inteligente, fico com a segunda, sem pestanejar. Coisas da vida, honey, coisas da vida... Aliás, voltei a compor meu Nominata Morfina (meu novo e melhor livro de poemas). Meus leitores, sabem mesmo o que eu queria? Mas sabem mesmo mesmo mesmo? Eu queria mesmo é me casar com a Amy Winehouse... mas não dou tanta sorte assim... E ainda é domingo, o post acaba, mas o domingo não. Caralho! Até segunda, beijão!
Bem, hoje é sábado. E acordei agora. E minha Velha tá aqui em casa alugando meus tímpanos. E daqui a pouco vou sair. E não volto mais hoje. Coloquei o Rubber soul e o sol lá fora está estupendo. Acabo de reler os poemas do novo livro de Dirceu Villa (Icterofagia) que também está estupendo. E estou assim-assim, mas bem contente com as mil coisas que andam acontecendo. Paudurescência 100%. Numa bobeira dessas lembrei do filme Alta fidelidade e como o Phantópera da Asma não me mandou os poemas – que o conselho editorial do Olimpo não quer publicar e há uma briga do caralho na diretoria –, resolvi propor aos meus milhares de ilustres leitores um opus à diversão: está seção EU QUERO QUE VOCÊ SE... TOP TOP TOP UH!, que nada mais é que um Top5 de mil coisas, ou uma enorme falta de vontade de ir caminhar ao sol lindo desta manhã de inverno. Neste primeiro, eu coloco as 5 canções mais tristes da história, segundo Calixto. Deixem seus toptoptop e eu os publico aqui. Beijão e até amanhã (se ânimo houver, domingos são foda...).
1. Bang bang (my baby shot me down) – Nancy Sinatra
(SAUDAÇÕES AO FRANKLIN ALVES DASSIE E AO Pesa-Nervos)
Caríssimos leitores, bom dia! Hoje a postagem aqui será adrenalina, quase território randômia da vida. A noite estava bacaníssima ontem. E muito fria! Pastéis de carne seca e cerveja gelada. Quentura daquelas!!!!!
Bem, hoje, sexta-feira, é dia de filé de peixe no sujão dali da esquina de baixo – onde o camarada Leandro não gosta nunca de ir (ele acaba de me lembrar que hoje pode rolar uma churrascaria das boas em comemoração às boas edições que andamos aprontando... esperemos pois).
Bem, o meu amigo Phantópera da Asma tem escrito muito ultimamente depois que soube deste Almondegário. Disse que anda vidrado em textos renascentistas. Achei bacana, mas nem liguei muito, sacumé. O Phantópera esteve fora estes anos todos – foi pra Sibéria compor seu livro de poemas neobababacas....ops...quer dizer, neobarrocos. Por isso me escreveu ontem: quer publicar os poemas neobabacas...ops...neobarrocos aqui nesta cozinha de Alexandria. Eu disse que eu e meus camaradas de revolução ficaríamos deveras envergonhados em publicar tais calamidades. Mas aceitei, porque ele retrucou que anda tomando aqueles da traja preta. Semana que vem então: POEMAS NEOBABACAS...ops...NEOBARROCOS do Phantópera da Uva, quer dizer, da Asma.
My friend Phantópera quando era dublê de Nicollas Cage
Olha, visitem o Pesa-Nervos hoje (link ao lado). Estamos tocando o terror. Claro, eles lá com muito mais disciplina e bom gosto. Aqui nesta cozinha (onde preparamos A festa de Babette) não gostamos do bom gosto.
PopPopPopPop
Bem, a convite de uma gravadora, este que vos fala gravará, nos próximos meses, o primeiro CD. Fabiano Calixto & As Divasem AT INFERNUM – MÚSICA DE GRAVURAcomeça desde já a ser pensado, composto, feito – o disco é baseado num poema-escombro gigante que escrevo desde 2005. Greg Graffin, camarada paleontólogo e cantor de uma das maiores bandas de punk rock da história, está gravando suas partes (todas vocais) em Los Angeles. Outros convidados estão pensando situações sonoras extremas para o disco. O CD será um apocalipse sonoro. As Divas estão esquentando os motores – todas cantoras, instrumentistas, compositoras, e claro, gat